terça-feira, 6 de setembro de 2011

Descartando vidas de nossas vidas
[vidas geradas por nossas vidas]
Outro dia me deparei com uma situação de um adolescente muito mal querido pela mãe e irmã.
Na realidade, não entendi muito bem aquela situação, que aos meus olhos naquele momento, não tinha sentido algum.
penso até hoje no adolescente que não me deu abertura pra que pudesse entender sua história...ele se  aquietou num canto, deixando muito claro que a sua situação ele mesmo resolveria[ não sei se conseguiu resolver, mas também não me ligou, embora eu tenha deixado todos os meus contatos].

A mãe alega que desde a separação dela com seu marido, há doze anos  atras, nada vem acontecendo dentro da  normalidade.  Ela discute demais com o filho e ele não aceita as regras que ela impõe e o ex marido,como se casou de novo, não quer o filho por perto, pra não incomodar. A esposa dele é muito nova e não aceita o filho dele.( o que a mãe do adolescente relatou).
Eu ainda não falei com o ex marido, pai do adolescente.  Mas iremos conversar.

Bom, esses tipos de conflitos familiares, que surgem com a separação do casal e que depois,acabam acarretando certos males em relação aos filhos,tem conselhos tutelares que nem atendem. Estava em São Paulo, certa vez e um conselheiro  relatou que essas situações são resolvidas diretamente na Vara da Família e não passam pelos conselhos tutelares e se alguém for procurá-los,eles já orientam irem diretamente  ao Fórum.
Me preocupo com isso,porque na realidade, sabemos que os Fóruns estão hiper lotados de serviços e com isso, os atendimentos são muito demorados. Muita coisa pode acontecer nesse período. Então, prefiro acreditar que mesmo os conselhos tutelares não sendo super salvação , dá pra fazer alguns encaminhamentos e acompanhar o caso enquanto isso, pra que  possa evitar possíveis tragédias.

No  caso do adolescente, ouvi a mãe, a irmã , que foram muito claras em dizer que seria bom que o Conselho Tutelar fizesse alguma coisa, o levasse pra algum lugar,porque não era mais  oportuno que ali permanecesse.
Cuidadosamente, falei sobre deveres de mãe e pai, ou responsável.  Falei sobre  seres humanos não serem objetos de descarte.  Falei sobre o amor ao próximo. Falei sobre ser mãe e principalmente mãe cristã, que é o que já tinha mencionado ( sobre ser cristã e ter  temor a Deus).

Fico pensando , ultimamente, com frequência,sobre o "descartar pessoas". Muitas são as mães que simplesmente decidem descartar os filhos...mas  descartar mesmo,literalmente.  Sem a questão familiar.Simplesmente descartar. Deixar de lado.

Me lembro , que em 2009, uma avó chegou na sede do conselho tutelar, com duas lindas meninas ( suas netas) e na época, elas tinham 02 e 03 anos.E simplesmente olhou pra conselheira tutelar que atendeu o caso e disse que tinha pressa e que o conselho que se virasse com aquelas meninas, que atrapalhavam sua vida.
Tínhamos acabado de assumir e eu fiquei chocada com essa atitude.Nunca tinha visto uma avó descartar os netos...nossa! as meninas estavam tão lindas, tão bem arrumadas e até hoje se encontram acolhidas,numa instituição aqui na cidade de Osasco. A  burocracia emperra tanto, que elas estão crescendo sem uma família.

E o tempo foi passando e quantos outros casos atendemos com esses relatos tristes de descartes. Estou falando daquilo que vi, que presenciei, fora os outros tantos casos que vemos pelos noticiários.

E esse adolescente ficou lá, em seu quarto, todo organizado. Paredes muito bem pintadas. A mochila, em cima de uma cadeira , aos pés da cama.
Na cabeceira, uma parede imitando aço escovado. Ele, deitado, olhando pro teto. Pro nada. Vez ou outra nossos olhos se encontravam. Só isso. A mãe, falando muito calmamente,com seus cabelos muito loiros. A irmã, mais nova, mas  com firmeza em suas falas.
Era tudo tão simples, nos relatos." Não temos condições de mantê-lo aqui." Ele não cumpre regras e as regras eram: apenas estude. Não pode sair. E ele dizendo estar estudando, organiza o quarto, que estava muito organizado mesmo.
Perguntei se queria ir com o pai, e ele respondeu que não. Prefiro ficar aqui com minha mãe. (ele disse). Doeu minha alma. Como uma mãe não entende essa fala? O que teria acontecido naquele lugar?
Onde ficou escondido o amor? Em que momento tudo se desprendeu? Porque tanta frieza num ambiente que deveria ser cheio de energia, de vida?

Ela ( a mãe) me disse que gostaria que eu falasse com o ex marido e exigisse que ele tomasse providências em relação ao filho, que nem sua família, queria mais ajudar ( no caso,os tios maternos).
Combinamos de nos falarmos pra resolvermos,juntos, já que ele (o adolescente) já fez 16 anos e talvez, nem tenha a necessidade de correrem pra o fórum. Uma solução em família, deve resolver tudo.
Mas saí de lá com o coração machucado. O olhar preso no teto, daquele menino tão lindo, tão só, jamais sairá de meus pensamentos.

E na sexta feira a conversa será com o pai.


( ficou decidido que o filho continue com a mãe e irmã, até que se decida junto ao pai. O adolescente passará por psicólogo/encaminhamento dado pelo conselho tutelar.)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

No ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), no artigo 129,  nos deparamos com Medidas Aplicáveis aos Pais ou Responsáveis, num total de 10.[ 10 incisos]
A sétima medida fala sobre Advertência, que vem seguida de Perda de Guarda ,Destituição da Tutela e Suspensão ou Destituição do Poder Familiar.

É bem provável que vamos deparar com situações diversas e que em muitos casos, os pais se questionam nesse sentido da Advertência:
- ..... quer dizer, que mesmo sendo  meu filho /ou minha filha, que apronta, ainda tenho que ser advertida? é a pergunta que muitos pais fazem.

Pois bem, mas pode ter acontecido algo que não foi percebido, não foi corrigido e desencadeou uma série de ocorrências, conflitos e então, nos deparamos com a crítica situação de que algo sinalizou vermelho e é hora de alguém advertir outro alguém.
Como na escola, que mesmo sabendo das regras e normas, ao desrespeitarmos, antes de uma punição mais drástica, somos advertidos de que algo mais sério poderá acontecer.
Bem antes da Advertência, vieram outros encaminhamentos, na tentativa de amenizar os problemas. E isso, passo a passo, com inclusive, avaliações e orientações técnicas, até específicas.

O Conselho Tutelar não pode deixar de se atentar a esse artigo. Eu costumo dizer aos meus atendimentos que o ECA é um documento poderoso no âmbito criança e adolescente, Único e que tem artigo pra todos. Não é só o que dizem de boca cheia aos quatro cantos, que o Eca veio pra botar a perder os filhos.
Isso é lenda, porque na realidade, o Estatuto da Criança e do Adolescente é  completo [com total redundância eu ainda diria: ele é " muito completo"].  Pra cada situação, um título, um atendimento, vários encaminhamentos e o crescimento nas ações, pra que os resultados sejam plenos.
É claro que muito fica a desejar, não pelo Estatuto e sim, por nossas ações.

Ainda convém dizer que  na Aplicação das Medidas dos incisos IX e X ( que é sobre a destituição da tutela e Suspensão ou destituição do Poder Familiar, respectivamente), deve ser observado o disposto nos artigos 23 e 24 do referido Estatuto.
artigo 23:  A falta ou carência de recursos materiais não constitui  motivo suficiente para a perda ou suspensão do poder familiar.
artigo 24:  A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas judicialmente ,em procedimento contraditório ,nos casos previstos na legislação civil,bem como na hipótese de descumprimento  injustificado dos deveres e obrigações a que alude o artigo 22.
artigo 22:  Aos pais incube o dever de sustento ,guarda e educação dos filhos menores ,cabendo-lhes ainda,no interesse destes, a obrigação de cumprir  e fazer cumprir as determinações judiciais.

O artigo 129 vem fazer valer o cumprimento dos deveres voltados aos pais ou responsável.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Uma prosa sobre Direitos


Bom, se falarmos dos artigos todos que não são cumpridos no Estatuto da Criança e do Adolescente, muitos ficariam chocados,porque acredito,que esses muitos devem imaginar, que lei é pra funcionar.
Começamos pelo direito à educação:  quantas são as crianças que estão fora da escola, por falta de vaga? O que? vão me perguntar....nessa época,em novos tempos, tudo tão modernizado, avançado e ainda tem crianças fora da escola?  Sim, eu respondo. Sim. Ainda temos muitas crianças fora da escola. E estou falando de crianças, não estou nem contando os adolescentes, que muitos já com os seus 16/17 anos, ainda nem terminaram o ensino fundamental.

E crianças fora das creches. Muitas! O ECA, em seus artigos 53 ao 59, descreve os direitos à Educação, Cultura, Esporte e Lazer.
Especificamente o artigo 54:IV, fala do atendimento a creche. Mas todos estão passando por cima desse artigo, como se ele nem existisse.

Agora, vamos pegar o artigo 136 que diz em seu inciso III a, sobre requisitar serviços. A palavra requisitar quer dizer, pedir,com autorização legal. Compete ao Conselho Tutelar, Requisição de serviços. Até porque o artigo 131, do ECA diz que o  Conselho Tutelar é um órgão encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Isso quer dizer que é de competência do conselho, a garantia dos direitos e se pode requisitar, deveria então, ser atendidas todas as requisições. O que não acontece. Requisições nem são lidas, que dirá atendidas.

Ainda no artigo 136, diz que o Conselho Tutelar pode representar junto a autoridade judiciária nos casos de descumprimento  injustificado  das deliberações das tais requisições. Pois bem. Mas até isso deixa de acontecer, porque quantos são os documentos mandados à Justiça quanto  às requisições  voltadas a esse tema Educação, que não são sequer respondidos.

E então, onde ficam as garantias?  O que fazer se os passos todos são dados e a concretização não acontece.

Vamos falar também da Violência Doméstica.  Outro dia atendi um caso de uma adolescente que estava hospitalizada e a médica acionou o conselho por acreditar que não poderia deixar passar essa agressão, assim despercebida. O pai tinha agredido a paulada a filha que estava dormindo. Ele bebe demais e chega muito bravo em casa e toda vez que bebe, acontecem agressões à mãe e filha. Dessa vez ele abriu a cabeça da filha, com um pedaço de pau.
Policiais estiveram no hospital e não foram buscar o pai. A mãe, preocupada com sua filha internada, fazendo uma batelada de exames, teve que dar atenção à policia para passar informações que foram colocadas resumidamente num papel(BO) e ninguém se disponibilizou  pra ir ao encontro desse pai agressor.
Dias depois, quando questionei o pessoal da delegacia, disseram que estava tendo naquela noite, flagrante de um roubo e ficou complicado atender o caso (de violência doméstica). A adolescente já estava internada mesmo. O pau já tinha descido em sua cabeça , penso eu, cá com os meus botões.

E o artigo 18 do ECA que diz:  " É dever de todos zelar pela dignidade da criança e do adolescente ,pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano,violento,aterrorizante,vexatório ou constrangedor",fica apenas para a mãe, vizinhos, médicos, conselheiros, funcionários do hospital, porque entra no " dever de todos" e o código penal, que há de ter é claro, um artigo que enquadra um agressor ao cumprimento de pena pra aprender não tentar matar a própria filha,fica de lado e como não entendo de código penal,não me cabe aqui pré julgamentos.

Mas onde está o direito dessa menina, de ser cuidada, amparada, tratada com dignidade? Ou é normal,ela ser espancada enquanto dorme, ficar internada por dias e retornar à casa , conviver com o agressor?

Essa conversa é longa e vale a pena prolongarmos num outro dia...elencando outros artigos não cumpridos em sua íntegra, pra que possamos,juntos, refletirmos sobre atitudes, ações e reações.
Uma prosa boa que demanda tempo e vontade de esmiuçar entre parênteses, chaves e abrirmos discussões pra que possamos cumprir o artigo 70 que diz que" é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação de direitos da criança e do adolescente."

Que estejamos juntos nessa luta. Sempre!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Hoje, 13 de Julho comemorou-se o aniversário do ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente) e a acredito que seja uma data pra refletirmos sobre os seus 21 anos. Quais foram os avanços e o que precisamos fazer pra que se respeite o referido Estatuto.

São 267 artigos que fala da garantia de direitos quando se trata de criança e adolescente e muito ainda por fazer.
Crianças fora das escolas, dificuldades de colocação em creches e esses fatores podemos observar nos artigos 53 até o artigo 59, que esclarece  sobre os Direitos à  Educação,Cultura , Esporte e Lazer e é muito claro o quanto não se cumpre os crtigos citados.
Mas pra cada não cumprimento, se tem um discurso. Pra cada ação  que não acontece tem um argumento.E passa-se o tempo e já se foram 21 anos.

Eu não estive nos movimentos à favor do Eca, não participei das ações , não ajudei redigir e nem gostava de falar sobre o assunto, pois nunca acreditei no seu funcionamento, na sua praticidade.
Mas fui capacitada, fiz treinamentos, participei de Conferências, Congressos, Encontros , me elegi Conselheira Tutelar, num municipio onde o numero de crianças e adolescentes é grande e então, passei a entender a importância de tal lei.  Mas me decepciono ao me deparar com tanto desrespeito. E não falo do desrespeito que muitos pronunciam, no sentido de argumentarem que depois do ECa, filhos mandam nos pais. Que depois do Eca, filhos não podem mais ser corrigidos e então, tudo acabou numa baderna. Ao contrário, devemos perceber e entender que criançae adolescente , antes do Eca, eram tratados como qualquer coisa...não eram pessoas.

Imaginem, que crianças, quando eram colocadas em situações de perdas por exemplo, ( perda dos pais ou de um deles, por questões de morte) eram colocados na antiga Febem (instituição criada para educar que se banalizou e acabou em nada) e lá eram esquecidas, ao Deus dará, sem serem ouvidas.

Quantas foram as crianças que foram para a Roda dos Expostos. Ninguem tinha tempo para falar sobre o assunto, ninguem queria ficar com o " abacaxi" e tinha mesmo que acontecer movimentos para que se pudesse pensar que criança e adolescente é sujeito de direito. Que tem direitos como  seres humanos. Alguem tinha que zelar por seus direitos e assim, depois de muita luta, eis que nasce o ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente)

Com isso, deixa de existir o Código de Menores e o Juizado do Menor. Criança e Adolescente não é mais "O Menor" ( nome que diminui o "sujeito de direitos").  E passa então, a ter Vara da Infância e da Juventude,com Juizes que , juntos de promotores, tem o dever de avaliar caso a caso, embasados no Eca.
E a criação dos Conselhos Tutelares, para que pessoas, eleitas pelo povo, que trabalham diretamente com a comunidade, possam  intermediar e juntos, toda a rede do municipio, resolvam os conflitos, garantindo os direitos.

E para quem não conhece o ECA, quem nunca leu o Eca,  saibam que bem pensado, tem artigo pra atender, de fato, essa camada da sociedade, que são seres humanos,abaixo dos 18 anos.
Tem artigo explicando o que é criança, o que é adolescente, tem artigo pra garantir a proteção, tem artigo pra cobrar cumprimento  de quem esquece as responsabilidades todas. Tem artigo pra orientações, que fala das adoções, de como tem que trabalhar os conselheiros tutelares, orientações aos pais ou responsáveis e tem também artigo pra o adolescente que comete ato infracional. Artigos que fala de educação, saude, lazer, enfim, esclarece sobre garantia de direitos.

É muito importante que toda a sociedade participe dessa caminhada, que é fazer valer, de fato, o cumprimento do ECA, em sua totalidade. É necessário que entendamos a importância de sabermos quais são esses artigos todos e cobrarmos do nosso municipio, o cumprimento em sua totalidade ,pois Criança e Adolescente deve ser Prioridade na prática e não apenas no papel.  Se não soubermos cobrar, nossas crianças e adolescentes passam a ser Cidadãos de Papel e não Sujeitos de Direitos.

Parabéns ao Eca. Tudo!
Oremos por nossas crianças e adolescentes.

domingo, 12 de junho de 2011

ENAPA 2011



Estive no ENAPA (Encontro Nacional de Apoio à Adoção) esse ano, na cidade de Curitiba. Ficou acertado que no ano que vem, será em Brazilia, no final do mês de maio.
Foi a primeira vez que participei e fiquei encantada. Juizes, Promotores, Especialistas no assunto Adoção, Técnicos das  Varas de Infâncias, outros Técnicos entendidos do assunto,Pais Adotivos e muitos Grupos de Apoio à Adoção lotaram o Anfiteatro na sede da FIESP.


Conheci a Carla Penteado,pessoalmente e tive o privilégio de participar de seu dia a dia, na cidade de Joinville. Ela fundou a ONG ATE (Adoção Tardia e Especial) com a finalidade de incentivar e ajudar familias a adotarem crianças especiais e adolescentes. Mãe de 04 filhas adotivas, todas com sua história muito peculiar, ela transmite alegria aos quatro cantos da casa,com seu jeito decisivo e cheio de dengos ao mesmo tempo.
Assim como ela, muitos representantes de outros grupos de apoio à adoção participaram. Muita gente do Rio de Janeiro e de outros cantos do país também.
Os palestrantes deixaram muito claro a importância de se unir em pról aos direitos de crianças e adolescentes ,fazendo cumprir o ECA (estatuto da criança edo adolescente) na sua íntegra, garantindo uma familia a cada criança e adolescente hoje,acolhida, no menor tempo possivel.
Não podemos mais viver essa pouca vergonha de acharmos que crianças e adolescentes se congelam no tempo pra esperar com tranquilidade um pai, uma mãe, irmãos, enfim...uma familia.
Ouvi relatos emocionantes de pais felizes por já terem encontrado seus filhos. Mas quantos outros estão já destituidos, aguardando as maselas burocráticas.
Como disse a Juiza da cidade de Curitiba , Lidia Mattos Guedes " Não dá pra esperarmos 02 anos,afamilia amar seus  filhos"...Não dá mais pra ouvirmos juizes dizerem que estão felizes, porque tal criança cresceu no abrigo...como se isso fosse uma dádiva." Chega! Ela até salientou que são muitos os juizes que devem fazer capacitações e técnicos das varas também, para que  possamos , todos, trabalharmos em pról ao bem estar de criança e adolescente, de fato.

Sinceramente, fiquei tão emocionada com sua fala, que queria muito que ela fosse Juiza na cidade de Osasco. É um privilégio ter um profissional que leva realmente a sério Garantia de Direitos.
Além da Juiza Lidia mattos,outros profissionais também palestraram , com Sávio Bittencourt(promotor de justiça) e autor de vários livros. [inclusive estou lendo um dele: "A Nova Lei de Adoção"],que estáem sua segunda tiragem.
Todos os palestrantes foram incisivos em dizer que o estado de São Paulo precisa avançar.  Claudia Vidigal,por exemplo, psicóloga e fundadora do Instituto Fazendo História, falor sobre  os PIAs (Planos Individualizados de Atendimento) e sobre Familias Acolhedoras,um programa um pouco compléxo, mas que tem que acontecer.  Citou a cidade de São Paulo,como Uma Vergonha Nacional, por não ter ainda esse programa. E citou tres cidades que já tem: Cascavel/ Campinas e Presidente Prudente.
Teve quem falasse também sobre Adoção Homoparental. Enfim...teve muito assunto , musica, vídeos, relatos reais e no final , uma confraternização, com um méga e saboroso jantar.





Sobre o ENAPA

O ENAPA – "Encontro Nacional de Apoio 'a Adoção" começou sua existência no dia 25 de maio de 1996, na cidade do Rio Claro-SP. Os Grupos de Apoio à Adoção (GAA) sentiam a necessidade de trocar experiências realizadas e se fortalecerem nas suas ações, passando a se encontrar.




Com o passar dos encontros, o Encontro Nacional dos Grupos de Apoio transformou-se, a partir de 2002, em Encontro Nacional de Apoio à Adoção (ENAPA). Os GAAs são organizações constituídas por pessoas voluntárias e não tem fins lucrativos.Contribuem com o Judiciário com programas diversos e tiveram grande influência junto ao Legislativo, promulgando Leis que auxiliam o processo adotivo.



Para conhecer os GAAs existentes no Brasil, visite o site www.angaad.org.br. A época em que estes ENAPAs ocorrem sempre são próximos do dia 25 de maio, que, devido o I ENAPA ter sido nesta data, foi o dia escolhido para comemorar o "Dia Nacional da Adoção" (Lei 10447 de 09 de maio de 2002, de autoria do Deputado Federal João Matos).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Encontro Comunitário no Cras do Km 18 /Osasco

O Conselho Tutelar Centro dessa cidade de Osasco, participou  do encontro.
Eu estive lá e sai satisfeita ,pois foi bem produtivo e o próximo encontro será no dia 15 de junho, às 09:00hrs da manhã, aberto à comunidade.

O encontro proporcionou aos envolvidos, a discussão sobre a atuação de fato, dos Cras ma ciadade de Osasco.
O projeto Carisma ,através da representante legal, apresentou todas as atividades e deixou a certeza de um modelo adequado a um trabalho social com responsabilidade e que contempla a comunidade em seu entorno.Serve de modelo.

[desenho criado e produzido por uma funcionária do Cras(Delma) ]

domingo, 20 de março de 2011

Acolhimento Institucional

O ECA (estatuto da criança e do adolescente) garante a medida de proteção, através do artigo 101.
Entendo que nos casos de maus tratos, abusos, em qua crianças ficam totalmente desprotegidos, pelo fato de que os responsáveis são os que cometeram essa violação, ai, se aplica a medida, fazendo de fato, o acolhimento, quando não tem onde colocá-los, mesmo que emergencialmente.

Também tem os casos, quando são abandonados, ou perdem os pais ou responsáveis, e para não ficarem sozinhos, desprotegidos, eis que a lei vem  socorrer.

Já no dia a dia, a gente vê , observa muita coisa errada. Muitos casos, que os acolhimentos acontecem por pobreza.  Tem os que acontecem por falta de entendimento da própria lei. Falta de bom senso...falta de coerência e   ai, as Casas ficam lotadas;  a fiscalização não acontece e os casos são aaliados bem lentamente causando um mau trato maior do que quando entraram.

Tenho estudado a respeito desse assunto e juntado pesquisas para que eu contribua na melhora dessas instituições, que ao contrário de garantir direitos, tem colocado nossas crianças e adolescentes à mercê de erros em sequência ,causando, com certeza grandes danos morais, no futuro .


http://www.amavi.org.br/sistemas/pagina/setores/associal/arquivos/orientacoes_tecnicas_crianca_adolescente.pdf?PHPSESSID=31e2f35c386228c260be198e430ebbe4

( esse documento fala sobre as técnicas a  nivel nacional, sobre os acolhimentos.)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cadê o Direito à Convivência Familiar?

Certa vez , recebi uma ligação no meu celular particular. Era uma assistente social de um hospital e maternidade dessa cidade de Osasco, dizendo que era pra eu dar um pulinho lá porque estava achando muito estranho a posição de uma outra técnica que relatou para o juiz  da VIJ que uma bebê teria que ser abrigada, pois não tinha familia.

A mamãe dessa bebê, tem um déficit mental ( acredito que leve) , mesmo não sendo médica, pelo fato de que é uma pessoa muito dócil e cuida muito bem de sua cria. Inclusive todos os profissionais de enfermagem do hospital estavam encantados com ela. Com suas atitudes , em relação à filhinha.

Chegaram a comentar comigo sobre isso , dizendo que nunca viram uma mãe cuidar tão bem de um bebê.

Conversando com essa mamãe, percebi que ela estava morrendo de vontade de ir pra casa. Falou da sua irmã , que é com quem morava já há algum tempo, desde que chegara no Norte do país.

Olhou bem nos meus olhos e disse: ...." não deixa minha bebê ir embora não. Quero ficar com ela. Ela é minha"......

Pedi para olhar o prontuário e lá estava escrito e assinado por uma técnica que essa mãe não tinha familia e que por conta do seu" problema", a criança deveria ficar afastada, [abrigada].
Até já tinham uma carta da VIJ (Vara da Infância e da Juventude) que dizia que a criança não poderia deixar o hospital, sem autorização judicial, mas que a mãe, poderia, visto que estava de alta.

O caso era [é] do Conselho Tutelar Sul, [por conta do endereço, Jardim Conceição]. Mas antes de eu repassar o caso, fiz uma busca do endereço, através da fala da mamãe e dos telefones que constavam no prontuário. Achei.
Uma casa bem ajeitada. Bem construida. Uma irmã que existia mesmo e aliás, essa mamãe tem 06 irmãos, todos morando na cidade de Óz.

O quarto da bebê, todo arrumadinho , esperando sua chegada. Essa irmã, não pode, de fato, fazer visitas lá no hospital , porque tem um filho com um problema neurológico grave e não tem como deixá-lo, de modo algum

A casa, muito limpa. Muito organizada.Uma familia muito simples.

Comprei uma briga por essa mamãe e não fiquei só. Estivemos no hospital, em 07 conselheiros [os 05 do Conselho Centro e 02 do Conselho Sul].  Fizemos plantão lá, para que essa bebê não fosse abrigada.
[não tinha necessidade disso. Uma familia bonita. Tudo ajeitado.] a criança tem mãe, tios, primos, avó,amigos, enfim....

Junto da gente, veio também uma vereadora da cidade. Nos reunimos. Discutimos com a equipe técnica do hospital. Falamos com o diretor do hospital e enfim, conseguimos que a criança não fosse abrigada por hora.

Fomos até o CMDCA ( Conselho Municipal dos direitos da criança e do adolescente) , falamos com o presidente, que também comprou a briga. Ele mandou, através do CMDCA, oficio para o secretário da Saúde e para o diretor do hospital, para que todos, comparecessemos junto ao Fórum, para então, falarmos com o juiz da vara da infância e partimos pra lá.

Compareceram os conselheiros, o presidente do CMDCA, a defensora pública, a vereadora, menos o secretário da saude e o diretor do hospital.
Sendo assim, não falamos com o juiz.
Dias depois, o juiz mudou de idéia e abrigou a mãe também ( que tem mais de 20 anos). Ficaram abrigadas mãe e filha.

O tempo foi passando. Eu, em particular, ia ao abrigo e toda vez que lá chegava, ela ( a mãe) vinha correndo ao meu encontro, perguntar sobre sua situação e dizer que queria falar com o juiz pra explicar pra ele que ela tem familia e que queria ir embora pra casa.

Nunca conseguimos falar com ele.
Passou o ano/ 01 ano/ e esse ano, soube que os bebês ganharam uma casa só para eles. Num outro bairro.Quase vinte (20) bebês e uma mamãe, porque essa mãe foi junto.

Agora, ela já não sorri como antes,porque na outra unidade, tem as adolescentes que ela conversava, dividia suas neuras. Era zuada por elas, mas tinha vida!

Visitei essa unidade e ela já não mais correu pra fazer pedidos. Se cansou. Estava deitada. Amontoada, praticamente. Esgotada. A chamei, ela nem se mexeu.  Creio que tenha desistido de lutar.
Está quase desistindo da vida.

Talvez seja assim mesmo. Talvez seja essa a intenção. Que ela desista! desista e assim, desiste da filha.
Uma ordem judicial. Um juiz que considera estar correto. Uma assinatura , num pedaço de papel.
Duas vidas! e outras, que fazem parte dessas duas!
Vozes que foram se calando e se calaram.
E a vida passando. passando.

Artigo 04  do ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente)
..........é dever assegurar , com absoluta prioridade, a efetivação do direito de conviver com a familia.....
[esse artigo fala dos direitos de crianças e adolescentes ]

Me enojo!
Me sinto um verme!