quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um caso pra Contar



Um adolescente , num dia de domingo, a pedido do pai, foi ao Supermercado Dia, na região Sul da cidade de Osasco, buscar 02 fardos de cerveja ( em lata)
Pegou na gôndula e foi pra fila do Caixa. Enquanto estava na fila do caixa, chegou um guarda civil, fardado, com carro particular, pois estava no horário do seu almoço ( 11:00 hrs) e tinha ido buscar uma "quentinha".
Vendo o adolescente com os fardos de cerveja nas mãos, perguntou a idade do mesmo e este, óbviamente, respondeu.
O guarda civil então, disse que não podia/ que estava totalmente ilegal e pediu pra o adolescente se retirar do supermercado.
Como era um pedido do seu pai, o adolescente retrucou e começou um bate boca. O guarda civil não pensou duas vezes e o botou pra fora do mercado, fazendo-o deixar os fardos dentro do mercado.
Quando o gerente viu toda a confusão, ae aproximou e soube então, através do guarda, que o menino estava totalmente errado, pois iria acabar bebendo e isso era totalmente ilegal.
O gerente disse que tudo bem, como tinha devolvido as bebidas, nem BO precisava.
Mas a confusão continuou, porque o adolescente estava inconformado com aquela situação e  houve um enfrentamento entre os dois ( Guarda Civil e o Adolescente).
[essa história me foi repassada pelo próprio guarda civil envolvido]

De acordo com o  ECA ( estatuto da criança e do adolescente),  no artigo 243,diz que vender,fornecer, ainda que gratuitamente ,ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente , sem justa causa,produtos cujos componentes possam causar dependência fisica ou psíquica,ainda que por utilização indevida:
Pena - detenção de dois a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave.

A conceituação desse crime prende-se à tipificação dos atos de fornecer.(ainda que gratuitamente)
O pessoal da Guarda Civil ligou tanto, no plantão do conselho tutelar que decidi ir até a delegacia, onde estavam. Chegando lá , o Guarda Civil me contou o que tinha acontecido e  ficou perpléxo, quando eu falei que esse caso não tinha nada a ver com o conselho tutelar. O adolescente compareceu acompanhado dos pais na delegacia, portanto, não tinha um porque da presença do conselho.

Ele não se  cansava de dizer que era absurdo o adolescente estar com bebida  nas mãos e eu , expliquei que por ser proibido a venda , o que tem que acontecer de fato, é a pessoa que vende, responder processo, ficar detida e isso eu  ainda não vi acontecer.

Bom, sem contar no  constrangimento que o adolescente passou, quando foi praticamente jogado pra fora do mercado.

Falei com o delegado, embora não tivesse me chamado. Aliás, ele e os funcionários, estavam indignados com a situação, pois segundo o próprio delegado, o adolescente estava até com o dente quebrado.

Sai de lá, depois de falar bastante com os guardas civis que lá estavam e também 02 policiais que os acompanhavam.

O guarda civil até acresentou que o adolescente era uma preocupação mesmo, pois já tinha atendimento no conselho tutelar.

Mas são tantos os atendimentos no conselho tutelar e sem contar que o conselho tutelar aplica medidas de proteção, portanto, se ele quis dizer algo parecido com o que chamam de " menor infrator", errou o órgão ( que é Vara da Infância ou até delegacia , mesmo).

Ne irrito muito  com o jeito que policiais, delegados, guardas civis, em sua maioria, dizem menores infratores. Me sinto uma idiota, porque tive que estudar tanto, fazer capacitação pra entender que há muito tempo os menores se tornaram crianças e adolescentes, sendo pessoas dígnas de serem ouvidas e de terem garantia de direitos.
[mas deixa pra lá]. Isso está longe de mudar, pelo jeito.

Devo até relatar que uma das vezes que estive na Vara da Infância, demorou um bocado para o juiz[ da vara da infância], achar o ECA e quando achou, estava até amarelado as páginas e ainda me disse que tinha aprendido na sua faculdade que lei não se decora e então, ele ia procurar sobre o que eu estava falando.
Af!  [deixa pra lá de novo].

E voltando ao assunto do adolescente, o que aconteceu [fiquei sabendo bem depois,através do chefe da GCM], que foi lavrado um BO na zona norte por desacato de autoridade,tanto do pai quanto do adolescente. Pelo que entendi a coorporação toda ficou feliz por isso. Acharam mais que justo.

Lá no Primeiro DP,[na região central da cidade] o delegado com quem conversei disse que lavraria BO por  "Abuso de Poder". [ele estava indignado, com a situação toda]

Vale lembrar que pai e mãe são responsáveis por seus filhos.
Que quem vende bebida ou qualquer tipo de substância que cause dependência, tem que parar na cadeia.
Pra mim, nesse caso, houve uma inversão de valores e  uma quantidade de erros.
E o pior quem levou foi o adolescente.

Passei!







Vamos ficar atentos ! Tem situações que temos que usar o bom senso também.

Tem situações, não entendidas, que podemos buscar ajuda.

O importante é usarmos de sabedoria para lutarmos por nossas familias.

Acredito muito no ser humano. Podemos mudar! Podemos fazer mudanças!
Somos todos responsáveis por aquilo que cativamos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ADOÇÃO Polêmico!


Hoje, assisti a um vídeo que conta o passo a passo sobre adoção.  Carla Penteado, uma mulher de 37 anos, relata , feliz, que  conseguiu adotar 04 filhas. [ Marcela, hoje, com 08 anos, que é autista/Luana, sua segunda adoção, que aconteceu na cidade de Osasco, que tem síndrome de Dawn e tem 03 anos/  Rafaela, com 03 meses, que tem hidrocefalia e Nadine (linda!e essa eu conheço), que está com 18 anos e também estava abrigada na cidade de Osasco].

Falam entusiasmadas, Carla e Cris Flores, do programa Hoje em Dia,sobre o amor que uniu essa familia .Eu também fiquei emocionada, porque não é fácil essa tarefa, que é uma verdadeira missão.
O juiz, Samuel Karasin, fala da facilidade de se adotar e até cita  o fato de que as pessoas trabalham essa "lenda", quando se trata de adoção.

O mesmo discurso de 2003/ depois 2005/ quando o assisti em palestras na cidade de Osasco e na época eu trabalhava na secretaria de assistência e promoção social e também discurso repetido em 2009, quando já estava como conselheira tutelar nessa cidade de Osasco.
No seu discurso, ele fala do quão fácil é a adoção e que uma das lendas é o fato da demora, quando na realidade, ele diz ser muito rápida.

Em 2003 eu perguntei quantos casais tinha na fila de espera, na cidade de Osasco e a resposta foi de que o número era 40. Depois, em 2009, fiz a mesma pergunta e a resposta foi a mesma. [estranho!] a rapidez.

Quanto às falas todas, não entendi como que Carla visitou um abrigo em Aracaju, pediu pra ver o berçário e deu de cara com Marcela, uma menina que não tinha reação alguma e que no seu colo chorou e acabou gastando 80 mil reais ( segundo dados  pesquisados no Google, sobre a Ong Até). E que esses 80 mil reais foram gastos com advogados e laudos psicológicos.

Então, a adoção não é assim fácil, pois não deve ser fácil, os casais terem essa quantia de dinheiro.

Depois, Carla, visitou um abrigo em Osasco e indo até o berçário, deu de cara com Luana, que estava com a saude debilitada e então, pediu uma guarda pra cuidar da saude da pequena . Disse que já tinha conseguido , em outras ocasiões, esse tipo de guarda pra cuidar de crianças e que inclusive, teve caso de ter que devolver a criança para ser adotada por outro casal. Mas que considera louvável, porque a idéia é mesmo cuidar de quem precisa de cuidados.

Muito bem! eu também acho essa atitude hiper louvável e sou muito a favor disso.
Mas fiquei admirada de saber que  o juiz Samuel Karasin acha isso interessante e até deu a guarda pra que Luana fosse cuidada por Carla, porque enquanto conselheira tutelar, vi casos assim e ele negar. Acompanhei caso bem mais  fácil que esse, e ele negar.

Tem até um caso de uma criança está no abrigo desde que nasceu, e que tem uma familia enorme. Só pelo fato de que a mãe da criança tem uma leve deficiência, ele abrigou a criança e a mãe também. Ocupando espaço no abrigo e a familia esperando mãe e filha há mais de 01 ano.

Agora, se é tão fácil assim, porque no albergue dessa cidade, tem um jovem que acabou de completar 18 anos, que ficou abrigado durante anos, que é especial e que agora, como não pode ficar no abrigo após os 18 anos, foi colocado lá no albergue. Porque não se trabalhou a adoção( fácil) através dessa Ong?

E também não ficou claro pra mim, nesse video, a adoção tardia da menina de 18 anos, quando Cris Flores diz que essa  "criança" [errado , porque 18 anos, não é mais criança e nem adolescente] cuida com tanto amor das irmãs.

Ela é uma jovem que foi adotada ou é uma" criança de 18 anos," que cuida das irmãs?

E quando Samuel Karasin, fala da facilidade que se tem de adoção, inclusive as mais complicadas e quando cita o seu corpo técnico adequado a fazer esse tipo de serviço e que ele se encanta, será que os técnicos também concordam com essa fala? Porque essa semana, estava com uma criança (11 anos), que os policiais conduziram até a sede do conselho tutelar, por estar vagando pelas ruas e quando liguei na Vara da Infância pra falar desse caso, visto que é uma criança que inclusive estava foragida do abrigo, a técnica que me atendeu disse que o correto era ela falar do paredeiro de sua mãe, porque não tinha como ficar voltando pro abrigo. ( lembrem -se: criança foragida). E quando questionei sobre os seus irmãos mais novos(num total de 05), estarem já destituidos, num abrigo sob segredo de justiça, pois estão para ser adotados, essa técnica disse que não daria pra essa menina ficar na mesma situação, por conta da idade. ( já está velha pra adoção).

Uai, as falas são diferentes? Os encantamentos são outros? Os sonhos não são os mesmos?

Paro por aqui, hoje!  Pra mim,  Adoção, ainda é um tema bastante complicado.





http://noticias.r7.com/videos/conheca-passo-a-passo-o-processo-de-adocao/idmedia/5c1905ec8b02a2521f26dc5ed2d2bd4a.html

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Lazaro - DEUS vai fazer

" RELATOS TRISTES " [Hoje, eu não estou bem]



De frente com uma criança, de apenas 08 anos.
Não quero falar nada, pois sua mãe já me disse o que tinha pra ser dito.
Suas mãozinhas mexiam muito. Ela está nervosa.
Seus olhos lacrimejantes me dizem tudo que deveria ouvir, mas que nesse momento, não se faz necessário.
Os relatos da mãe é sobre o seu marido ter abusado de sua filha( enteada do infeliz, desde os seus quase 02 aninhos).
Ligo pra tudo quanto é delegacia à caça de um delegado que consiga enquadrá- lo nesse momento, e nada. Nada!
Vão pra delegacia lavrar BO. Tudo certo, em relação à papéis.
Mas a alma fica lá encalacrada. O corpo, fica lá, doido. A mente, fica lá, vagando. Os olhos marejados, ficam lá, fixos num vazio. O coração, fica lá, pisado.
Parece que vai ficar assim. Mais uma vez. Mais um caso. Simplesmente, um caso.
Os encaminhamentos acontecem. Psicólogos. Médicos. Exames. e os dias passam, os meses.....fica assim. Ficarão assim. ( em outros casos, já ficaram assim)

Hoje não estou bem. Nada fica bem depois de relatos assim....
Recorro a Deus e me caiu muito bem esse hino. ["Deus vai fazer acontecer"]
Deus é conosco. Ele é contigo. Ele é comigo.
Estou orando por vc, pequena criança.
Deus cuidará de voce. Te carregará no colo. Ele é contigo, criança.
Estarei sempre orando por voce. e Lutando pra que seus direitos sejam de fato, garantidos.
Não sossegarei. Fique em paz. Há de acontecer alguma coisa. Há de acontecer mudanças.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Abertura do programa Boa Leitura

Penso sempre na importância da leitura na vida das pessoas. Minha mãe me ensinou isso. Lá em casa todos gostamos muito de ler. Até meu pai, que estudou sómente até o segundo ano ( antigo grupo), vive com livros,jornais ou a biblia pra baixo e pra cima....só na leitura.
Meus sobrinhos, de 10 anos ( são gêmeos) até blog montaram, para escrever o que pensam.
Escrevem em defesa dos animais, fazem manifestos a favor das lagartas,defendem os sapos e assim vai.
Eu , montei uma mini biblioteca, com aproximadamente 2 mil itens e me delicio nas guloseimas da leitura diária.
Sou ratazana de banca. Adoro livrarias. Ai meu Deus, quando entro numa, dificil me tirar de lá.
E nossas crianças precisam disso: o gosto pela leitura.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um Balanço Tutelar





Foi no ano de 2009 que assumimos o Conselho Tutelar. Janeiro. Fui logo me engajando com os outros municipios e me tornei coordenadora regional. eleita. (foto acima com toda a equipe .#fórum regional#). Nos reunimos, estudamos, fizemos encontros, discussões, fóruns, conferências e mais discussões e mais encontros. Socorremos municipios vizinhos ( o fórum). Falamos com prefeitos vizinhos.A luta era fortalecer os Conselhos Tutelares.
Cafés da manhã, almoços, churrascadas. Encontros para focar a união. O entendimento entre os municipios. Porco no rolete. bate papos. enfim, tudo que tinha que ser feito.


Congressos estaduais, participamos de todos.
E depois de tudo isso, já no inicio do ultimo ano de mandato, chego a conclusão que me sinto totalmente frustrada quanto ao não rendimento das ações concretamente executadas.
Ao menos, as que nos propusemos antes de assumirmos.
Em 2008 fomos capacitados por uma equipe espetacular, ( da PUC).Execelente capacitação. Transparência no processo eleitoral.
E já na capacitação, se falava de mudanças. Vida nova junto as ações conselheiras. Eu levei a sério. Vi , ouvi, achei que devia fazer e quantas foram as vezes que fui barrada.
mal interpretada. Recuei. Estudei e investi de novo e tive que recuar mais uma vez.
Em 2009 fui eleita na conferência da criança e do adolescente para participar da equipe que iria elaborar a mudança na lei. Me arrancaram. A decisão em conferência foi "agua abaixo".
deixa pra lá. não faço parte.
A mudança, até agora, nem no papel.
A sede do Conselho Sul ia pra região Sul, porque está no centro. Mas que nada. Só promessas.
As sedes ainda continuam juntas: centro e sul.No mesmo local.
Nossas familias saem , por exemplo, lá do bandeiras, Turibio, Padroeira e se deslocam até o Campesina, no centro da cidade. Muitos chegam à pé, por falta de dinheiro para o transporte.
E se tem a fala de que" somos um municipio em que criança e adolescente tem prioridade".
A sede do Conselho Tutelar Norte também sairia de dentro da Policlínica Norte. Diziam ( o poder público), que essa vergonha iria ter fim. Promessa em vão. A vergonha continua.No mesmo local.
Ficamos 01 ano sem transporte e quando chegou, era capenga. Continua capenga. 02 Kombes, pra tres conselhos. Teve discurso na entrega. E os conselheiros estavam lá. Presentes . Admitindo o erro. 02 carros pra tres conselhos. Conclusão: o atendimento é capenga. O conselho tutelar centro tem transporte 02 dias na semana. Ma terça, empresta do Norte e na quarta , empresta do sul. E toda terça é uma confusão, porque o norte sempre tem prioridades. Sempre precisa.
depois , a história do Sipia ( um programa de atendimento digital , que facilita o armazenamento de dados). Imaginem voces, que não sabemos por exemplo, quantas crianças nossas já foram adotadas. Quantas estão pra ser adotadas. Quantas já foram destituidas. Quantas adoções foram pra outros paises. Dado algum.
Sipia está sendo implantado desde o meio do ano de 2010. Não conseguimos usar ainda.
Os computadores chegaram , mas não tem em todas as mesas. Somos em 05 conselheiros por conselho e chegaram 04 computadores. Atendimento capenga de novo.
( costumo dizer que é a cidade saci).
O prefeito nunca nos atendeu, mesmo com muitos oficios encaminhados solicitando audiência.
Também, nunca nos recebeu em seu gabinete.
O juiz da Vara da Infância e Juventude, numa reunião cobrou da Secretária de Assistência e Promoção Social, atitudes concretas em relação às Casas de Acolhimento e nunca mais falou no assunto.
Até hoje,todos estão na mesma situação . Nada foi alterado.
Me sinto como se estivesse sentadinha na poltrona de um trem e pela janelinha, olhando toda a movimentação do lado de fora . Só olhando. Porque nesse caso o ditado " 01 andorinha não faz verão" é exatamente correto. Porque se faz necessário o colegiado e este, está no trem também.
Que venha o 2011.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O AVESSO DA RESPONSABILIDADE


Hoje, atendi um caso na sede do Conselho Tutelar, de uma mamãe que veio toda empolgada , dizer que agora está estruturada pra ficar com seu filho de 08 anos.
[esse caso, atendi ano passado, através de uma denuncia e chegamos a conclusão, numa reunião com toda a familia, que naquele momento, era melhor esse menino, ficar com a avó paterna, e foi isso que aconteceu]
"...agora, (disse a mãe), eu estou morando com uma pessoa do bem e juntos, podemos cuidar dos nossos filhos".
Ela então relatou: "... ele, o meu marido (não são casados/estão juntos), tem 02 meninos e como a mãe das crianças está detida, estão ficando com a gente(sic). "
A idade? 10 e 08 anos.
Muito bem. Prosa vai e prosa vem , ela relatou que os dois ( ela e o marido) trabalham a noite.
Mas veja: (sic)...." a gente sai de casa sómente a meia noite e eles ficam dormindo. Eu, retorno às 05:30 da manhã e ele, mais tarde. Mas não tem como preocupar, porque no quintal, tem uma mocinha que fica de antena ligada, caso aconteça alguma coisa. Quer dizer, não é bem no quintal, mas é bem pertinho. Quase do lado. Quase junto."(sic).
A idade? 13 anos.
Ai, pergunto: essa atitude é adequada?
Fico pensando no meu tempo de criança, que minha mãe nos deixava pra estudar. Naquela época ela cursava Admissão ( nem sei se é assim que escreve) ( nossa, era um curso que existia logo depois do quarto ano/primário). Era intermediário. Fazia isso, pra depois se matricular na quinta série.
Morávamos no fundo de uma igreja e meu pai era o presbítero( Assembléia de Deus/Ministério Belém), numa cidadezinha do interior.
Ela falava comigo e me dava a responsabilidade dos meus irmãos mais novos (02) e então, era minha função acionar meu pai, que estava orando ou fazendo algum aconselhamento na igreja.
A janela do nosso quarto, quando aberta, dividia com o púlpíto da igreja. Uma cortina apenas nos separavam. Era tudo fácil.
E ela falava horas com a gente, sobre os perigos de ficarmos sózinhos. Então, falava da importância de chamarmos meu pai, assim que surgisse algum imprevisto.
Desde muito nova, assimilei as falas de minha mãe, entendendo os perigos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente também esclarece no artigo 5 e é crime o "abandono de incapaz".
As dificuldades vem e hoje , os pais tem que trabalhar para darem o sustento aos filhos. Manter uma familia não é tarefa fácil. Mas temos que ter o discernimento.
As vezes , nos deparamos com atitudes inadequadas porque os filhos estão tão ativos, tão espertos, que nos esquecemos que são crianças e damos responsabilidade demais.
Achamos que assim como são capazes de decidir pelos brinquedos ou roupas que querem, são também capazes de decidirem as ordens de um lar, administrando, cuidando, zelando, quando na realidade, esses são direitos que temos que garantir aos mesmos.
Precisamos pensar e refletir nossas atitudes.
As crianças dependem de nós, adultos e não são deles a competência de administrar nossos lares.
Eles precisam de cuidados / carinho. Sentem falta de uma familia que os mantenham.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ATITUDES
Ontem, andando pelas ruas da cidade de Osasco, refleti, junto de uma amiga, sobre as atitudes do ser humano.
Estávamos no carro do Conselho Tutelar, rumo a uma diligência e assim que descemos a Primitiva Vianco, nos deparamos com uma mãe, com um bebê no colo, atravessando correndo , o semáforo fechado.


Depois, mais à frente, uma mãe passeava calmamente, de mãos dadas com o filho, de aproximadamente 05 anos, e ele, muito falante. Era perceptível a alegria dos dois.
Mas ela estava protegida por um guarda chuva e ele não. Ele estava na chuva. [ achei engraçado].
E soltei: nossa, que mãe é essa? que se protege e deixa o filho de fora?
Demos risada, porque pra eles era tudo tão natural. Estavam radiantes !
Ai , minha amiga comentou sobre mães que pegam na mão do seu filho e ao andar pelas ruas, a criança é que sempre fica do lado da rua[onde passam os carros].
E realmente é isso que acontece. Quem nunca se deparou com uma mãe fazendo isso.
Estranhamente, percebo, nas minhas obervações cotidianas, que com pai, isso é mais raro.
O motorista acrescenta: e as mães que atravessa a rua, com o filho no carrinho e coloca o carrinho bem na frente do carro, que é pra esse parar, mesmo.
E assim, continuou nossa conversa.
Mais tarde, fiquei pensando no quanto somos relápsos em relação às nossas crianças e adolescentes e as vezes, nem nos damos conta disso.
E foi ontem mesmo, que passando em frente a uma casa, me deparei com um recado no portão:
"Precisa-se de pessoa pra cuidar da casa e de uma criança." Pensei no tanto de maus tratos que acontecem com crianças e mesmo assim, existem pessoas que fazem contratação através de um recado no portão.
Precisamos refletir melhor sobre nossas atitudes e ficarmos atentos às nossas responsabilidades, no sentido de garantir a proteção dos nossos filhos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Levar a Sério!



Eu não me canso de pensar na adolescente que relatou sobre os dias em que foi abusada pelo pai.
Antes, uma das conselheiras tinha recebido a familia pois estavam todos muito preocupados com a situação de fuga da menina.
Relataram que ela saiu sem falar onde ia e todos estavam atentos a cada passo.
No inicio eu ouvi a conselheira falando toda a história e depois, pude observar a familia toda.
Me lembro de cada fala/cada gesto/ e fiquei muito surpresa com o final de tudo, que aconteceu no acolhimento institucional da mesma.
Há alguns dias, pude falar com ela. Está feliz! Está muito bem. Contou sobre a escola/ sobre o trabalho/sobre a casa.
Não tocou no assunto "familia" e eu respeitei.
Lamentavelmente ela falou a verdade [ sobre o abuso]. Caso contrário, não estaria tão bem!
E eu, que no inicio não acreditei na sua história, me deparo com o que há de mais concreto.
-Devemos estar sempre muito atentos e observar.
-Nossas ações devem ser seguidas de avaliações minuciosas de cada caso. Cada fala deve ser levada a sério.